Vida além da morte?

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Vida além da morte?

Mensagem por Tatoia em Sex Jul 18, 2008 4:16 am

Em Six Feet Over, Mary Roach procura respostas de "pesquisadores-da-alma" contemporâneos e históricos: cientistas, engenheiros, mediuns, todos tentando provar (ou des-provar) que a vida continua para além da morte.

Para quem não conhece esta autora, posso-vos dizer que os seus textos já apareceram, por exemplo, no Discover! Interessando-se sempre por descobrir as provas por detrás das teorias, interessando-se descontraídamente e com um excelente humor, sobre saber a verdade (se é que isso será algum dia possível provar) sobre se existe mesmo uma alma que se despega do corpo e vive para além da morte do corpo.

Feita esta apresentação, e para quem ficou curioso para saber mais sobre este livro que ando a ler, deixo aqui o mais resumidamente possível o conjuntos dos resultados de uma das muitas investigações feitas por esta autora, descrita por ela em Six Feet Over.

Tema: morte do Papa Paulo VI

O que Mary Roach encontrou nas suas investigações, numa compilação de textos que tentam provar que existe vida para além da morte:
"6 de Agosto de 1978, foi num Domingo, a Festa da Transfiguração. Era noite, e o Papa Paulo VI faleceu deitado no seu quarto. Com ele estava o seu médico e duas das suas secretárias, Monsignor Pasquale Macchi e o Padre John Magee. Ás 9:40 da noite, seguido de um ataque cardíaco massivo, a Sua Santidade expira. Nesse mesmo momento, o relógio despertador na sua mesinha de cabeceira toca. Factos deste episódio referem a este momento como o "amado relógio despertador polonês do Papa". Ele comprou-o em Warsaw em 1924 e carregou-o consigo nas suas viagens apartir daí. Ele parecia sentir ternura por ele da mesma maneira que os agricultores sentem por velhos, lentos cães, ou crianças pelos seus cobertores. Todos os dias, incluindo o dia que ele morreu, o alarme estava configurado para as 6:30 da manhã."

O que encontrou em Pontiff, um livro biográfico sobre Paulo VI:
Naquele preciso momento o antigo relógio despertador, que tinha tocado ás seis e trinta dessa manhã e que não tinha sido rebobinado ou reconfigurado, começa a tocar...

O que encontrou no livro de Peter Hebblethwaite, Paul VI: The First Modern Pope:
Na manhã do seu último dia, o Papa está a dormir. Ele acorda e pergunta as horas e lhe é dito que são 11:00 da manhã. "Paul abre os seus olhos e olha para o seu relógio despertador polonês: mostra 10:45. Olha, diz ele, o meu pequenino relógio está tão cansado como eu. Macchi tenta dar-lhe corda mas confunde o alarme com a corda." Segundo esta versão, o alarme disparou na altura que o Papa faleceu porque Monsignor Macchi "acidentalmente o configurou para esse momento".

O que foi dito à autora por uma fonte anónima, dada pela Organização Católica, que falou com o grupo de padres que se encontraram com Macchi pouco depois da morte de Paulo VI:
"Foi me descrito como não sendo instantâneo, mas mais como um espaço de cinco, quatro, três, dois, um...e o alarme disparou". Tinha-lhe sido dito que apesar do que outros tinham dito, o alarme não tinha sido configurado para a hora que Paulo VI faleceu. "O sentimento", disse ele, "foi que o que sugeria era a partida da alma de Paulo VI do seu corpo."

O que a autora encontrou na própria biografia de Macchi sobre Paulo VI, sobre este episódio, página 363:
"Foi na manhã desse dia", ele escreveu, "tendo notado que o relógio estava parado, eu quiz dar-lhe corda e inadvertidamente movi o ponteiro do alarme para as 9:40 da noite."

O que encontrou vindo de um padre que alegadamente tem algo contra Paulo VI:
Este homem diz que a história do relógio tinha sido inventada pelo Vaticano como prova para uma hora de morte falsa, parte de um esforço para cobrir uma fuga do dever papal que teria feito o Papa parecer irresponsável.

Conclusão da autora sobre esta pesquisa que fez:
A moral desta história é que a prova é uma busca ilusória, e ainda mais quando estamos a tentar provar algo intangível.

__
Minha opinião:
Penso que quando isto acontece e as versões sobre os factos se confundem, temos que acreditar naquilo que sentirmos dentro de nós ser mais lógico, fazer mais sentido, ser mais credível. Porque na verdade, só isso interessa, o nosso sentido individual do que é a verdade depois de nos serem apresentados todos os factos e argumentos existentes, sobra-nos a nossa verdade, o nosso sexto sentido!

O que me soou certo, bem, correcto e inspirador, não foi se o despertador tocou mesmo no exacto segundo em que Paulo VI faleceu, mas sim, a sensação de que todos tiveram que simbolizava a alma dele a sair do corpo e, no fundo, a se despedir. A sensação, como já todos sabemos, vence-nos muitas vezes sobre o raciocínio, levando-nos a desviar ligeiramente os factos. Mas eu me pergunto, porque será? Porque será que a sensação ganha aos factos? Talvez porque os factos físicos, provaveis, não são o mais importante. Talvez porque os factos são apenas isso, como as coisas aconteceram no mundo dos vivos. Mas a linha que nos liga para lá deste mundo, é feita de sensações, e nesse mundo, os factos só ocorrem para nos dar sensações. Mesmo que por vezes o facto não aconteça no exacto segundo em que temos a sensação, pois na verdade, na maioria das vezes, a sensação só se manifesta e é reconhecível por nós segundos depois para os mais sensíveis e horas ou mesmo anos depois, para os mais cépticos. E ser céptico, tal como a última fonte descrita pela autora o é claramente, é uma opção de vida tão legítima como ser crente, ambas baseadas sempre em necessidades pessoais que o ser humano tem: de duvidar ou de (ser feliz!) seguir o coração! Wink

Beijinhos a todos, espero que tenham gostado.
Eu vou continuar a ler este maravilhoso livro e se quiserem depois partilho mais investigações de Mary Roach !


PS: Um outro livro que ela escreveu foi "Stiff: The Curious Lives of Human Cadavers".

Tatoia
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